É
automático, experimente falar a palavra domingo sem parafrasear Alexandre Pires
e seu “domingo..quero te encontrar e desabafar todo meu sofrer la la la”,
tente, tente outra vez, pois eu aposto, é quase uma licença poética pra este
dia, o dia mais injusto da semana, vos afirmo.
Ser
domingo não é fácil, imaginem estar entre sabado e segunda-feira, é uma
analogia sofrível entre o céu e o inferno, a balbúrdia e o ócio, a festa e a
ressaca. No sabado (eis a glória dos mortais, nosso espetáculo semanal, o dia
abençoado dos amigos adventistas), o sol
é generoso, as pessoas reluzem em uma alegria visceral. Com todo
respeito, quero dizer “Sabado, te amo, ta bebê?”. Já em contrapartida, na
segunda-feira, até aquela tartaruga
barroca corre mais rápido que o ponteiro do relógio, nossa vida é uma
repartição pública onde o barulho da máquina de escrever pesa como mil
marteladas na cabeça, aliás, já que estamos em época de eleição, se fosse
pleitear um cargo, meu discurso seria: “meus amigos e minhas amigas, vote em
mim, me chamo segunda-feira, mas posso lhe dar muitas alegrias”, seria
interessante.
Domingo é
tão “turma do didi” na hora do almoço, tão tacacá no final da tarde, tão
“Domingão do Faustão”, (só se for pra ele, né? O sufixo não condiz com nossa
realidade e ponto) só há um prazer inerente ao domingo digno de palmas, o nosso
grande companheiro, o futebol. Ah, o futebol, senta na sala, liga a TV que tudo
vira sabado. Domingo é preguiça, ouço meus ossos se estalarem só de ouvir a
palavra domingo, inclusive se pudessemos reclamar de um dia da semana no
PROCON, o domingo ultrapassaria fácil
aquela que não tem fronteiras, da “cara de pau”, claro.
Bem, vou
indo que o almoço vai ser servido e de tanto escrever repetidamente a palavra
domingo, minha mente está entrando em colapso, quase em transe paralítico.
Domingo, domingo “quero te encontrar e desabafar..” e lá vem a música denovo,
sai Alexandre Pires, não impregna meus neurônios, fui, tchau! (eu hein, não
desgruda..).

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